
Não é novidade para ninguém que todos os programas de fidelidade pioraram consideravelmente nos últimos anos. O maior problema foi a mudança das tabelas, de fixa para flutuante, onde dependemos da boa vontade do programa em liberar assentos a um preço razoável. Infelizmente, o que temos visto, fora algumas promoções pontuais, são valores altíssimos. A inflação no mundo das milhas é realidade há alguns anos, como o Daniel bem comentou aqui, em 2015, em uma análise.
Um dos motivos é que atualmente você ganha milhas para praticamente tudo que faz. Daqui a pouco, você vai respirar e ganhar milhas. Com isso, ficou muito mais fácil acumular os pontos, e consequentemente mais pessoas estão com poder de emissão com milhas. Paralelo a isso, há várias empresas que vivem de vender passagens aéreas com milhas, sendo que uma delas anunciou recentemente que já fez 1 milhão de emissões com milhas desde a sua criação. Com isso, o viajante comum, que tem férias uma vez ao ano e precisa de disponibilidade em datas certas, acaba tendo dificuldade em conseguir uma boa emissão. Será que os programas não acham estranho dezenas de emissões em uma mesma conta, para vários nomes diferentes, no mesmo dia? Fazem vista grossa. Por quê?
Também foram lançados os clubes de milhas, onde você paga uma mensalidade e recebe milhas mensalmente, além de ter outros benefícios agregados. Aí, os programas fazem marketing para você assinar, e depois, sem aviso prévio, resolve mudar as regras do programa, como recentemente aconteceu com a Multiplus, que excluiu o bônus para transferências vindas do KM de Vantagens e de outros parceiros.
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Desde que esses clubes foram lançados, nós alertamos sobre os riscos. Até pode ser interessante para determinados perfis de viajantes ou para algo pontual, mas melhor do que isso é ficar atento as promoções, para conseguir bônus, ou até mesmo de passagens aéreas pagas, que estão muito boas. Volto a afirmar: não é preciso ter milhas para viajar.
Aí você pergunta: dá para confiar?
Ninguém fiscaliza os programas, então eles estão, literalmente, com a faca e o queijo na mão. Você usa e é obrigado a concordar com toda e qualquer mudança. Se eles quiserem cobrar 1 milhão de milhas para uma viagem em Classe Econômica, vão cobrar. Se decidirem que algo está dando "prejuízo", vão cortar.
Por isso, quando alguém me pergunta se vale a pena contratar um cartão de crédito co-branded, eu prontamente digo que não vale a pena. Você quer ser "refém" do programa de fidelidade? Uma vez lá, você não poderá fazer mais nada, e terá que usar os pontos se submetendo as regras do programa.
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Quando você usa um cartão de crédito que não é associado a nenhum programa de fidelidade, tem poder de escolha. Pode simular o que deseja emitir e depois, quando achar o melhor local, fazer a transferência. Infelizmente, muitos cartões ainda se limitam a poucos parceiros internacionais, oferecendo sempre mais do mesmo: Smiles, Multiplus, TudoAzul e Amigo.
O cenário, infelizmente, é desolador. Se você está se sentindo prejudicado, deve abrir um processo no Juizado Especial, e nós ensinamos o passo a passo aqui. Não podemos aceitar essas mudanças unilaterais calados.
Boa viagem!





