
Você compra a passagem aérea pensando em férias perfeitas, de muito sol e calor, mas ao chegar ao destino, ao invés de curtir aquele mar caribenho, em diversos tons de verde e azul, você dá de cara com policiais corruptos. Ao longo dos últimos anos, o Falando de Viagem recebeu inúmeros relatos de corrupção, principalmente de quem aluga um carro para realizar passeios pela região.
O golpe funciona assim: policiais identificam carros alugados, param o veículo, e informam que o motorista será multado por estar acima da velocidade permitida. Argumentar é inútil e difícil se você não fala espanhol. Um policial faz o papel do durão e o outro do "bonzinho", sugerindo ao turista brasileiro que pague a multa ali mesmo, sem precisar ser encaminhado à delegacia, para não perder o precioso tempo das férias.
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Os turistas brasileiros, que estão geralmente em uma zona isolada, no meio da estrada, ficam acuados e acabam pagando o valor, que muitas vezes é negociado com o policial na hora. A situação chega ao cúmulo do policial sugerir que o turista vá até um caixa eletrônico pegar mais dinheiro. Para intimidar ainda mais, eles mexem o tempo todo nas armas.
O relato abaixo é o mais recente desta triste história, que faz com que muitos brasileiros estejam deixando de conhecer Cancún, e procurando outros destinos no Caribe.
"Eu e minha esposa tivemos férias maravilhosas no México na segunda quinzena de junho/2018. Roteiro bem planejado, com antecedência, adquirimos passagens, hospedagem e aluguel de carro com mais de 3 meses de antecedência. O destino: Riviera Maya.
Nosso voo pousou em Cancún numa quarta-feira à noite e após os tramites de migração e alfândega, retiramos nosso carro na Hertz e fomos em direção a Playa del Carmen, onde tínhamos reserva de hotel.
Estranhamos que a estrada tinha uma variação muito grande de limites de velocidade. Já havíamos pesquisado anteriormente, e aquela região seria uma "armadilha" para turistas, onde policiais desonestos achacam turistas, sob argumento de que foi cometida alguma infração de trânsito. Sabendo disso, dirigi muito atento a toda e qualquer placa de alteração de velocidade, e mesmo com o GPS indicando uma velocidade diferente, o que determinava o ritmo era a sinalização da rodovia.
A viagem entre Cancún e Playa del Carmen foi tranquila, sem qualquer sobressalto. Chegamos por volta da meia-noite e nos hospedamos tranquilamente no hotel.
Os dias seguintes foram de exploração da região, com passeios pelas belas praias locais, visita a Cozumel via ferry boat, alugando um segundo carro na ilha (carro em péssimo estado, mesmo solicitando sua substituição na locadora), mas sem qualquer contratempo. Fomos ainda a Tulum, visitar as ruínas, as praias e os magníficos restaurantes, também sem qualquer problema.
No retorno para Cancún, onde tínhamos um resort reservado por mais 5 noites, passamos por Chichén Itzá, conforme havíamos planejado. Ruínas magníficas, com estrada bem sinalizada, em excelentes condições, mas com pedágio altíssimo (250+70+75+305 pesos mexicanos, todos aceitando apenas dinheiro).
Chegando a Cancún, já na zona urbana no final da tarde, mas ainda à luz do dia, em uma avenida onde o limite de velocidade era de 70 km/h. Estava trafegando a 60 km/h quando percebi que havia uma viatura da polícia emparelhado ao meu carro, com dois policiais em seu interior, sem que as luzes estivessem acesas ou tocando a sirene, apenas sinalizando manualmente para que encostássemos.
Fiz o procedimento em segurança, e sem sair do carro, peguei os documentos de locação do carro e minha CNH. O policial se aproximou e começou a falar que aquela era uma zona de 40 km/h de limite de velocidade, e que eu estava bem acima do limite. Antes de pegar os documentos, já foi anunciando que teria que pagar uma multa de US$200 na delegacia na próxima quinta-feira. Era a tarde de uma segunda-feira e eu imediatamente me desculpei, informando que a sinalização que eu havia percebido indicava uma velocidade diferente, mas que não teria problemas, eu assumiria meu erro e compareceria na quinta-feira na delegacia, bastando que me desse o endereço e o horário.
Após essa conversa, o policial pegou meus documentos, informando que os mesmos seriam retidos e que só na delegacia seriam liberados, após o pagamento da multa. Ao verificar os documentos, identificou que eu era estrangeiro, e começou a preencher o auto de infração, se afastando em direção à viatura.
Veio então ao meu encontro o segundo policial. Falando em tom amigável, pelo fato de sermos estrangeiros e para facilitar a nossa vida, bastaria que eu pagasse os US$200 para que eles nos liberassem sem a necessidade de irmos até a delegacia.
Apesar de termos o montante solicitado em dinheiro, informei que não teríamos esse valor naquele momento, mas insisti em comparecer na delegacia na data inicialmente definida. O policial que no início estava solícito começou a ficar nervoso, falando que ele estava tentando ajudar, me perguntando quanto dinheiro eu teria. Mostrei minha carteira que tinha apenas 160 pesos, no que ele informou que seria muito pouco, teria que ter mais do que isso. O policial então falou que nos acompanharia até um caixa eletrônico para sacarmos o valor. Me recusei a ir a um caixa eletrônico, informando que retiraria o valor necessário somente no hotel, e que compareceria na delegacia na quinta-feira.
O policial começou a ficar nervoso e começou a manusear a arma, que estava na altura da janela do carro, onde eu permaneci o tempo todo. Forma flagrante de intimidação. Após esbravejar mais um pouco, voltou para a viatura, momento em que peguei mais 200 pesos que estava em outro bolso.
Quando o policial retornou, informei que tinha encontrado mais dinheiro, totalizando 360 pesos. O policial se mostrou satisfeito, me devolveu os documentos e mandou seguir.
Inconformado com a situação, pedi um recibo do pagamento da multa ou o endereço da delegacia para que eu fosse buscar o recibo da multa. O policial ficou ainda mais nervoso, voltando a manusear a arma, perguntando para que eu precisaria desse recibo, pois já estava liberado. Argumentei que poderia ser parado mais adiante por outro policial, e que poderia me cobrar essa "multa" que estava pagando naquele instante. Ele informou que já estava atualizado no sistema e para eu ir embora.
Foi uma situação absolutamente perturbadora. Me senti assaltado pela própria polícia mexicana. Não insisti mais com o recibo, pois poderia ser acusado de desacato ou até de algo pior, mas fiquei inconformado. Estava a 5 minutos do resort, em plena zona hoteleira de Cancún, e o que mais queria era devolver o carro na locadora e ficar o tempo restante relaxando para esquecer essa situação.
Fica o alerta para todos os que forem passear por esse país magnífico que é o México. O povo é muito receptivo, cortês, e essa foi minha terceira visita ao país. Retornarei outras vezes, mas tenho certeza que essa sombra ainda vai me acompanhar."
Como não cair nesse golpe?
Infelizmente, a única maneira de não cair nesse golpe é não alugando um carro. Você fica mais limitado, precisando contratar passeios no estilo excursão, ou usar táxis, que não são baratos. Alugar um carro, com a sensação de insegurança de ser abordado a qualquer momento pelo polícia, é estressante.
Tem outros golpes?
Sim, infelizmente. Já tivemos relatos de outros problemas, como abordagem policial dizendo que o turista não poderia beber na rua em determinado horário, e cobrando uma "multa" de US$400, inclusive com intimidação usando algemas. No final, o brasileiro que relatou esse golpe, disse que o policial aceitou US$50 e foi embora.
O mesmo turista relatou que teve problemas ao alugar um Jet Ski, quando ao devolvê-lo a empresa inventou um dano e queria cobrar US$1.000. Com a discussão, e com outros turistas por perto, a empresa acabou "liberando" o pagamento.
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Onda de assassinatos
Além dos problemas já citados, há outros: o destino é palco de uma onda de violência. Desde o começo deste ano, mais de cem pessoas foram assassinadas. Os últimos assassinatos foram feitos em série, a partir de 4 de abril. Nas 36 horas posteriores, foram registradas 14 mortes. Os crimes são homicídios dolosos, quando há intenção de matar. A suspeita é a de que as mortes tenham ligação com a guerra dos cartéis e tráfico de drogas na região da Riviera Maya.
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Vale a pena viajar para Cancún?
Quem fica apenas na região dos hotéis, e tem intenção de passar a maior parte do tempo dentro do resort, tem menos chances de problemas. Ao realizar os passeios com empresas, você também evita qualquer problema maior. O grande problema, atualmente, é ao alugar um carro. Se você vai viajar para lá, tome cuidado com qualquer programa ou passeio por conta própria.
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Boa viagem!
E você, conhece Cancún? Teve algum problema durante a viagem? Conte para nós a sua experiência!





