Enfrentei o meu primeiro furacão em Cancún

O idealizador do Falando de Viagem escreve sobre suas viagens, experiências e dá valiosas dicas.

Avatar do usuário
GabrielDias Mensagens: 41513
Qua Nov 04, 2020 9:52 am
Imagem

Ao viajar, sempre existem riscos. Há as catástrofes naturais e outros riscos, como acidentes e terrorismo. Nunca será 100% seguro viajar para lugar nenhum, em nenhuma época do ano. Apesar de viajar desde criança, nunca havia enfrentado um furacão, mas isso aconteceu em Cancún, no México, e eu vou contar um pouco dessa aventura para vocês.

3 semanas antes da minha viagem havia passado um furacão em Cancún, o furacão Delta. Muitos hotéis foram evacuados e os hóspedes levados para abrigos. Houve estrago na cidade e nos hotéis, mas nada muito sério, e no dia seguinte os hóspedes já retornavam para os hotéis e o sol retornava ao paraíso no Caribe Mexicano. A boa notícia: minha viagem estava confirmada.

Depois que passa um furacão você não imagina que haverá outro em seguida, mas houve. Aliás, vale ressaltar que os furacões estão muito mais constantes nos últimos anos. A minha viagem corria bem, com dias lindos de sol e calor, quando durante um passeio a AT Travel (empresa de receptivo e passeios) nos informou sobre uma tempestade se aproximando. Nesse estágio, ainda não era classificado como furacão, mas poderia ganhar força no trajeto até a Península de Yucatán.

A viagem continuou normal e éramos atualizados sempre pela Lilian, responsável pela AT Travel e também cônsul honorária de Cancún. Eles estão acostumados com esse fenômeno natural e estão sempre acompanhando tudo para orientar seus passageiros.

No penúltimo dia da viagem veio a confirmação: a tempestade havia se tornado um furacão de categoria 1 (a mais fraca - vai de 1 a 5) e atingiria a região onde eu estava. Inicialmente, parecia que o furacão Zeta entraria por Cancún, mas ele acabou entrando pela Riviera Maya, bem pertinho do meu hotel.

Eu estava hospedado no UNICO 20º87º. Pela manhã, o hotel informou sobre o furacão, e vários procedimentos começaram a ser preparados. Há uma equipe do hotel exclusiva para lidar com essas situações e proteger os hóspedes.

Veja o aviso na TV do meu quarto:

Imagem

Imagem

Apesar de ser um hotel com tudo incluído, devido ao furacão o governo decretou lei seca e os hotéis foram proibidos de oferecer bebidas alcoólicas aos hóspedes nos bares e restaurantes. No quarto, as cervejas do frigobar estavam à disposição. Achei uma atitude correta, afinal, dependendo da gravidade do furacão haveria necessidade de hóspedes sóbrios para seguir as instruções de segurança.

Imagem

Nesse dia, meu planejamento era curtir mesmo o hotel. O tempo já estava ruim e a praia, que é linda, estava bem sem graça. As piscinas estavam cheias após o café da manhã. Apesar da proximidade do furacão, o clima era de total tranquilidade entre hóspedes e funcionários. Inclusive, dava para notar que os funcionários não estavam preocupados, o que gerou uma tranquilidade em mim.

Algumas limitações começaram a serem realizadas no hotel, como retirada das espreguiçadeiras da área da piscina - mas o espaço continuava aberto. O almoço foi limitado a um único restaurante, com serviço à la carte, e houve fila de espera. O hotel estava com ocupação máxima nesse dia - 60% dos quartos ocupados, devido às limitações do coronavírus. Como já imaginava que teria fila fui antes e esperei uns 20 minutos até minha mesa estar liberada. Acredito que muitos hóspedes devem ter esperado mais de uma hora para sentar.

O clima dentro do restaurante era de total tranquilidade. Com exceção da falta de bebidas alcoólicas, tudo funcionava normalmente, com exceção de uma demora um pouco maior do que o convencional pelo excesso de hóspedes chegando ao mesmo tempo. Em dias normais, como são muitas opções de alimentação, o fluxo fica bem dividido.

À tarde, a orientação era para os hóspedes irem para os quartos a partir de 16:00 e não sair mais. Todos os restaurantes e bares foram fechados para o jantar e apenas o serviço de quarto estava em funcionamento. Apesar de haver abrigo no hotel, eles julgaram que não seria necessário devido a força do furacão não ser das mais fortes. Achei isso bom, afinal, além do desconforto havia o problema da pandemia - centenas de pessoas no mesmo local fechado não seria agradável.

Imagem
Preparação para o furacão: espreguiçadeiras afundadas para não voarem.

Depois foi sentar e esperar o furacão chegar. Muitos hóspedes do térreo, onde há piscina privativa nos quartos, ficaram curtindo o espaço. Aos poucos, a intensidade da chuva e dos ventos foi aumentando, mas nada do furacão chegar - eu fiquei acompanhando a sua trajetória em um app exclusivo de furacões.

Imagem
Será que estavam preocupados?

Imagem
O pontinho azul era onde eu estava - ao lado da rota de passagem.

O room service demorou em torno de 2 horas, o que achei justificável, afinal, era uma situação extrema. Inclusive, sem saber como seria o dia seguinte, pedi dois pratos (para deixar um de reserva). Aos poucos, o furacão foi se aproximando e causando muita chuva e vento forte. Dava para ouvir algumas coisas caindo/quebrando. A orientação era não chegar perto da varanda, mas não parecia haver muito risco. Eu escutava muito barulho e vento vindo do corredor. Do teto, também dava para ouvir uns barulhos fortes. A água da chuva chegou a entrar por debaixo da porta, causando uma poça na entrada e na área do banheiro - foi o máximo que ocorreu no meu quarto.

Imagem
A boa comida no room service.

Imagem
Furacão passando.

Não faltou energia no hotel em nenhum momento. A internet também continuou funcionando 100%. O furacão assustou, mas não causou estragos grandes, e eu fui dormir.

O dia seguinte ao furacão

No dia seguinte, acordei e fui ver os estragos. O principal era a sujeira pelo hotel, por causa das árvores e terra. Havia muitos danos, mas todos de pequena intensidade. Danos de chuva forte, igual estamos acostumados no Brasil. Havia chuva fraca e o dia estava feio, mas tudo dentro do esperado.

Apesar de tudo, o hotel estava a pleno funcionamento, e montou um bufê assistido no corredor do espaço onde ficam os restaurantes, para servir todos os hóspedes. Sim, havia comidas e bebidas para todos, logo pela manhã, apesar do furacão ter acabado de passar. O bufê não tinha nada muito elaborado, claro, como estações de ovos, mas estava muito bom. Os hóspedes se serviam e iam até as mesas para comer. Os funcionários estavam trabalhando normalmente, apesar do estresse e da falta de descanso.

Veja algumas fotos:

Imagem

Imagem

Imagem

Imagem

Imagem

Imagem

Imagem

Imagem

Quando é a temporada de furacões?

A temporada vai do começo de junho ao fim de novembro. Sendo agosto, outubro e principalmente setembro os piores meses, ou seja, estaticamente com maiores probabilidades de furacões.

Medo?

Não cheguei a ter medo, mas fiquei um pouco apreensivo. A tranquilidade dos hóspedes americanos, que estão acostumados com esses fenômenos, junto com a tranquilidade dos funcionários, me deixou mais calmo. O hotel, inaugurado em 2017, tem uma estrutura muito sólida e foi construído sabendo que os furacões podem passar por ali, o que também me tranquilizou. Fora isso, está muitíssimo bem preparado para proteger os hóspedes, e merece meus parabéns.

Acabou sendo uma aventura e deixou a viagem mais emocionante. Entretanto, um furacão com mais forte certamente me deixaria com um pouco de medo, pois a sua força é impressionante.

Boa viagem!

E você, já encarou um furacão em suas viagens? Onde foi? E qual foi a categoria? Deu tudo certo no final? Conte para nós a sua experiência!
Imagem
ImagemImagemImagemImagemImagem
Conheça os grupos pagos do Falando de Viagem no WhatsApp: https://fdv.im/grupospagos
Adriana Mensagens: 2168
Sáb Nov 07, 2020 7:46 am
Nunca enfrentei furacão, meu marido já.
Achei muito sensata a lei seca.
Que bom que no final deu tudo certo.
Avatar do usuário
GabrielDias Mensagens: 41513
Sáb Nov 07, 2020 9:26 am
Pela tranquilidade dos americanos, se não tivesse lei seca imagino que iria até brindar a chegada do furacão, haha.
Conheça os grupos pagos do Falando de Viagem no WhatsApp: https://fdv.im/grupospagos
Avatar do usuário
Fabio Mensagens: 8867
Seg Nov 09, 2020 2:16 am
Minha experiencia com furacao foi em set/15 na Carolina do Sul, quando o Joaquim nos deixou quase uma semana presos em Myrtle Beach. Felizmente nao havia nenhuma lei seca, pois senao iriamos pirar hahahahahah
Avatar do usuário
GabrielDias Mensagens: 41513
Seg Nov 09, 2020 9:01 am
Eu lembro dessa viagem, Fabio. Atrapalhou BEM o roteiro, né?
Conheça os grupos pagos do Falando de Viagem no WhatsApp: https://fdv.im/grupospagos
Avatar do usuário
JulianaMagalhaes Mensagens: 6016
Seg Nov 09, 2020 11:57 am
Ainda não tive essa experiência e nem quero ter. Por mais que seja tranquilo muitas vezes (em relação a riscos) mas acaba comprometendo a viagem. E agora mais do que nunca sei da importância de escolher bons hotéis nesses destinos.



Booking.com

Voltar para “Coluna do Gabriel Dias”

Quem está online

Usuários navegando neste fórum: Nenhum usuário registrado e 2 visitantes


Anúncio