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Coluna do Fabio Macedo

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 Título: Mergulhando na história do Havaí: Um dia em Pearl Harbor
Mensagem não lidaEnviado: Dom Jun 16, 2013 12:18 pm 
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Mergulhando na história do Havaí: Um dia em Pearl Harbor

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Em maio de 2013 tive a oportunidade de realizar um daqueles passeios que eu sonhava desde que era criança: Conhecer Pearl Harbor. Confesso que era o que mais me atraia em uma visita ao Havaí.

As praias podem ser lindas, as paisagens exuberantes e o clima maravilhoso, mas eu queria mesmo era conhecer Pearl Harbor. Queria ver com meus próprios olhos os cenários de dezenas de livros que li e filmes que assisti. Queria entender como foi a dinâmica daquele dia em que o curso da história foi alterado.

Cheguei a Honolulu depois de 5 voos e 35 horas de viagem total, numa quente madrugada de maio. Após poucas horas de sono, já estava de pé novamente. Por quê? Porque era hora de conhecer Pearl Harbor! Peguei meu carro alugado e dirigi por cerca de 20 minutos. Ainda não eram 9:00 quando cheguei ao estacionamento. Já estava bem cheio! Pelo jeito, eu não era o único ansioso por ali.

Após pegar meu passaporte para um dia comprado via internet, inicio meu tour por aquele lugar histórico. Não tinha pressa, pois havia reservado meu primeiro dia no Havaí inteiramente para isso.

Como em qualquer parque temático, e para quem é apaixonado pelo estudo da história aquele é um parque temático, são muitas as atrações disponíveis e isso requer algum planejamento. Planejei me focar nas quatro principais atrações: O USS Arizona Memorial, que homenageia os mais de 1.100 tripulantes mortos daquele couraçado completamente destruído durante o ataque japonês, o USS Bowfin Submarine Museum, um dos mais bem sucedidos submarinos americanos da II Guerra, mantido como se estivesse pronto para entrar em ação, o Battleship Missouri Memorial, o poderoso couraçado em cujo convés foi assinada a rendição japonesa dando fim a II Guerra Mundial e o Pacific Aviation Museum, o museu de aviação onde é possível ver desde Mitsubishi Zeros até F-15s.

Além destas atrações, vários outros pequenos museus, contam particularidades do conflito. Também é possível ver vários tipos de armamentos e equipamento militar de várias eras que decoram toda a área.

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Um míssel Tomahawk.

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Um autêntico minisubmarino Kamikaze japonês capturado intacto.

Comecei pelo que estava mais perto, o USS Bowfin. O tour é todo muito bem sinalizado e o equipamento de áudio guia é fornecido gratuitamente, porém não está disponível na língua portuguesa. Na visita é possível ter uma boa ideia de como era ir para a guerra num daqueles cinzentos charutos metálicos. Um eterno cheiro de óleo e uma permanente sensação de claustrofobia. A medida que você vai progredindo, o áudio vai lhe dando todos os detalhes de cada parte do navio.

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A atração seguinte era o memorial ao USS Arizona, um couraçado totalmente destruído no ataque e que custou mais de 1.100 vidas. Esse passeio tem duas peculiaridades. Apesar de estar incluso no passaporte de um dia, ele é gratuito. Mas é feito com hora marcada. Você precisa agendar seu horário logo que chega ao Visitor Center. Meu ingresso era para 12:30 e ainda eram 11:45. Resolvi passar o tempo em uma das várias exposições permanentes que contam detalhes do ataque e da guerra no Pacífico como um todo.

Sentado a uma mesa, distribuindo autógrafos e sendo muito fotografado estava um senhor de idade muito avançada. Seu boné o identificava como um autêntico sobrevivente do ataque de 07 de dezembro de 1941. Era um sargento do exército que contava o ataque do ponto de vista dele. Onde estava, o que viu, o que sentiu, como reagiu e etc. Fiquei escutando boquiaberto. Para mim foi outra aula de história que tive naquele dia.

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Chegada a hora agendada, me posiciono na fila. As pessoas com ingresso para aquele horário são então chamadas. O memorial ao USS Arizona é, ao lado do Alamo em San Antonio, Texas, os dois grandes santuários americanos dedicados a aqueles que morreram por seu país. Existe uma verdadeira peregrinação de famílias americanas, especialmente as com tradição militar. E, para mim surpreendente, é enorme o número de japoneses que visitam o local. Confesso que fiquei curiosíssimo para falar com alguns e perguntar se era por orgulho ou vergonha, mas faltou coragem.

Primeiro, fomos direcionados a um teatro, onde assistimos a um filme de cerca de 15 minutos sobre as razões do ataque e suas conseqüências . Em seguida embarcamos em uma lancha da marinha americana que nos leva até aos restos do couraçado. Pouca coisa resta fora da água. Mas o impressionante é constatar que mais de 70 anos o ocorrido ainda vaza óleo dele. Lá também existe uma parede com o nome de todos os tripulantes mortos no ataque.

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Reapre no óleo que vaza desde o dia 07 de dezembro de 1941

Tomei minha lancha de volta, dei uma pausa para comer algo e me preparar para a próxima atração: USS Missouri, o Mighty Mo!

O Missouri fica ancorado em Ford Island, uma ilha no meio da baía. Para chegar a ele existe um ônibus de cortesia que sai a cada 15 minutos e que o leva a todas as atrações localizadas em Ford Island. A primeira paradas é justamente o USS Missouri.

Para quem não sabe, foi nesse navio, carinhosamente apelidado de Mighty Mo (Poderoso Mo), que a Segunda Guerra Mundial teve fim, quando os japoneses assinaram sua rendição na presença do general Mac Arthur, na Baía de Tóquio em 1945. No Surrender Deck está assinalado o local exato onde a rendição foi assinada. Lá também está exposta uma réplica do instrumento de rendição e outra da caneta utilizada.

O Mighty Mo é enorme. Durante a guerra foi atingido por ataques kamikazes e resistiu. Fragmentos dos aviões que o atingiram estão lá expostos para provar. Possui literalmente dúzias de canhões de todos os calibres, mas as três colossais torres triplas de 406mm se destacam. Posteriormente a guerra ele foi modernizado e recebeu mísseis Harpoon e Tomahawk. Mas apesar de seu tamanho, o sentido do passeio é bem explicado e a gente não se perde. Apenas espere gastar umas duas horas em um tour minucioso. O áudio tour também está disponível, mas nesse caso deve ser pago a parte.

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Os lançadores de Tomahawks e Harpoons foram instalados posteriormente à II Guerra.

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O local exato onde foi assinada a capitulção japonesa.

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Réplica do instrumento de rendição e da caneta de Mc Arthur.

Devidamente impressionado com aquele gigantesco couraçado, parti para o ponto de ônibus interno para esperar meu transporte para a última atração inclusa no meu passaporte. O Pacific Aviation Museum.

Localizado a menos de 5 minutos de ônibus do píer onde está ancorado o Missouri, o Pacific Aviation Museum está localizado num conjunto de hangares em Ford Island onde estava concentrada a maior parte dos aviões americanos em 07/12/41. Foi severamente bombardeado e ainda tem uma carcaça de B-17 daquele tempo lá. É dividido em duas partes, por assim dizer. Na primeira o foco são os aviões do tempo da II Guerra. Diversos modelos de ambos os lados estão muito bem preservados. Alguns em cenários que imitam situações da época. Zero, P-40 Hawk, B-25 Mitchell e F-6 Hellcat são apenas alguns modelos que lá se encontram perfeitamente preservados.

No caminho para o segundo hangar passamos em frente a torre de controle da época, que foi restaurada em seus mínimos detalhes. Quem assistiu ao filme “Pearl Harbor” vai se lembrar dela.

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Chegando ao segundo hangar, voltado para jatos mais modernos, nos deparamos com parte de seu acervo ao ar livre, como o F-104 Starfigther. No seu interior, temos de jatos da Guerra da Coréia, como o F-86 Sabre, a caças atuais como o F-15 Eagle. A coleção de helicópteros também não deixa a desejar, com diversos modelos. Entre eles um Sea King. Para quem não sabe, o helicóptero presidencial conhecido como Marine One, geralmente é um Sea King.

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Um Zero.

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Um B-17 destruído em terra.

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E com isso o chamado passeio básico por Pearl foi completo. Saí de lá com uma visão bem mais clara do que ocorreu naquele dia há mais de 70 anos. Olhando no fim da tarde para as montanhas ao norte de Oahu, fiquei imaginando a surpresa que aquele senhor sobrevivente tão lúcido deve ter sentido naquela quente e ensolarada manhã de dezembro quando mais de 300 aviões japoneses apareceram do nada para alterar o curso da história. O almirante Yamamoto tinha razão quando disse que tudo o que fizeram foi despertar um gigante e enchê-lo de indignação. O Japão, que plantou vento, colheu tempestade.

De minha parte, sonho realizado, aulas assimiladas e a certeza de que agora eu também pude dizer um dia: Tora, Tora, Tora

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O guia completo

- Onde ficar: Pearl Harbor fica a cerca de 20 minutos do centro de Honolulu, então ficar lá é a decisão mais lógica. A maioria dos hotéis turísticos do Havaí estão concentrados na praia de Waikiki, nesta mesma cidade.

- Aluguel de carro: É o meio mais rápido e fácil de se locomover. Não existe metrô, os ônibus o farão perder tempo e uma corrida de táxi custará mais caro que uma diária de carro. Em Pearl o estacionamento é amplo e grátis. Chegue cedo, pois senão acabará parando muito longe.

Sugiro a leitura: Vale a pena alugar um carro em Oahu - Havaí?

- Ingressos: Existem diversos tipos de ingressos para as mais diversas atrações. Podem ser comprados individualmente ou em passaportes para um ou dois dias. Recomendo a compra antecipada via Internet do passaporte de um dia. Custa US$55. Apesar da visita ao USS Arizona ser gratuita, com hora marcada, os ingressos são distribuídos com muita antecedência e se esgotam. Ao comprar o passaporte você garante a reserva dessa atração para aquele dia. Então apenas precisará chegar lá, mostrar seu voucher do passaporte e escolher o horário desejado. Entre todos os sites que pesquisei, o que tinha maior oferta de datas foi o http://www.ussmissouri.com

- Alimentação: Existe uma pequena praça de alimentação próxima ao USS Bowfin. Tanto o Missouri quanto o Pacific Aviation Museum dispõe de restaurantes também. Já no Arizona é proibido comer ou beber qualquer coisa.

- Quando ir: O Havaí é um dos principais destinos turísticos de americanos e japoneses. Nas férias verão fica ainda mais cheio. Evite também feriados patrióticos como o Memorial Day e o 4 de Julho, pois monumentos militares são um dos programas favoritos deles. E chegue cedo! Eu cheguei antes das 9:00 e já estava bem cheio. Além disso, para ver tudo com calma pode-se considerar 2 horas para cada atração. Se no final da tarde você ainda tiver disposição, o Waikele Premium Outlets fica a menos de 20 minutos de lá.

E você já esteve em Pearl Harbor? Gostou? Tem outras dicas? Conte para nós a sua experiência!

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 Título: Re: Mergulhando na história do Havaí: Um dia em Pearl Harbor
Mensagem não lidaEnviado: Dom Jun 16, 2013 1:09 pm 
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Fabio,

Muito, MUITO bom esse post! Parabéns!

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 Título: Re: Mergulhando na história do Havaí: Um dia em Pearl Harbor
Mensagem não lidaEnviado: Dom Jun 16, 2013 2:37 pm 
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Administrador
Excelente! E deu para sentir que você realmente gostou e aproveitou bem o local.

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 Título: Re: Mergulhando na história do Havaí: Um dia em Pearl Harbor
Mensagem não lidaEnviado: Seg Jun 17, 2013 11:12 am 
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Baran, obrigado !

Gabriel, gostar foi pouco. Eu adorei ! :D

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 Título: Re: Mergulhando na história do Havaí: Um dia em Pearl Harbor
Mensagem não lidaEnviado: Qua Jun 19, 2013 2:44 am 
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Não tem um desses que aparece naquele filme batalha dos mares? Com a tripulação de velhinhos ?


 Título: Re: Mergulhando na história do Havaí: Um dia em Pearl Harbor
Mensagem não lidaEnviado: Qua Jun 19, 2013 10:21 am 
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Nossa, não imaginava q era tão legal!
Pelas fotos deu para sentir bem o q o local nos proporciona.
Excelente!

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 Título: Re: Mergulhando na história do Havaí: Um dia em Pearl Harbor
Mensagem não lidaEnviado: Qui Jun 20, 2013 2:05 am 
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Juliana, vale muito a pena.

Dpalma, é exatamente o USS Missouri o navio-museu que dá título ao filme Battleship- A Batalha dos Mares. Um exagero de otimismo, claro. Não tem a menor condição dele ser utilizado em combate atualmente :lol: . Dá para reconhecer várias das locações desse filme em Oahu.

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