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Coluna da Manoela Caldas

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 Mensagem não lidaPublicado: Dom Fev 03, 2019 12:20 pm 
Mensagens: 758
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Felizmente, pautas sobre sustentabilidade estão mais em alta do que nunca. Se antes repensar a pegada ecológica que cada um deixa no planeta era interesse apenas de hippies, veganos e naturebas, hoje, é difícil encontrar quem não queira fazer parte desta discussão. Em pouco tempo, andar com canudo de inox e copo de silicone na bolsa já virou parte da rotina da elite carioca. Além da alimentação, uma das maiores frentes neste processo por uma vida com menos lixo é a moda.

Os termos ‘minimalismo’ e ‘slow fashion’ protagonizam esta nova forma de comprar. Há muito conteúdo disponível na internet sobre consumo consciente, mas poucas pessoas realmente entendem sobre o que se trata - não porque é algo distante e exclusivo, e sim porque é muito mais simples do que parece. Como uma (ex) consumista nata, só consegui aplicar essa filosofia na minha vida quando entendi que não era preciso tirar tudo do armário e viver como a Bela Gil do dia pra noite. O minimalismo não é um clube no qual os pré-requisitos para participar são ter um armário-cápsula e fazer o próprio desodorante.

O objetivo de uma vida minimalista é que você ame e use tudo que tenha. Se os objetos ao seu redor fazem uma diferença positiva na sua rotina, eles têm um propósito para estar ali. Se não, é apenas acúmulo. Um dos principais lemas do movimento é ''F*cking love it or leave it'’ - em tradução livre, ''Ame pra c*ralho, ou deixe para lá''. Se existe um pingo de dúvida quando você pensa em comprar algo, aquela peça não é pra você.

Cortar os excessos não apenas diminui o lixo do planeta, como também melhora a relação com o seu ambiente, sua autoimagem e, claro, seu bolso. A maioria de nós, mulheres, passa grande parte da vida consumindo na lógica de que nossos corpos precisam servir para a roupa, quando, na verdade, deveria ser o exato oposto. Essa construção social não apenas nos oprime, mas gera um lucro astronômico para a indústria da moda. A ideia de consumidoras que compram apenas o que realmente amam significa mais satisfação, menos retornos, portanto, menos venda$.

Leia também: Guia de sobrevivência em outlets dos EUA

Particularmente, a ficha sobre a má relação com o consumo caiu quando olhei para a minha coleção de copinhos de shot. A cada viagem que fazia, comprava um pra simbolizar mais um destino explorado. Os quase trinta copos ficavam aglomerados na estante do meu quarto com o objetivo de me proporcionar boas lembranças das incríveis viagens que fiz. A realidade? Eu jamais olhei para os copinhos com esse intuito e eles serviam apenas para acumular poeira. Não era útil, especial ou significante. Era só consumo.

Dos copinhos de shot, mergulhei no armário e tirei tudo que não fazia mais sentido para mim - a calça que não cabia mais, a blusa com corte esquisito, o casaco que pinicava, o vestido que usei só uma vez, o tênis que machucava... Mesmo após essa revolução em minha vida de (ex) consumista, estou a quilômetros de distância de ser uma minimalista - por isso os parênteses no "ex". Este foi apenas o começo de uma caminhada pro consumo consciente e posso levar meses, anos ou uma vida inteira para conseguir alcançar a linha de chegada.

No dia a dia, fazer escolhas mais conscientes não é tão desafiador como eu imaginava. Quando marquei uma viagem para os Estados Unidos, sabia que aquelas férias provariam se o estilo de vida mais minimalista tinha realmente virado uma chavinha na minha cabeça consumista ou era apenas mais uma fase dos meus vinte e poucos anos. A base do pensamento continuaria a mesma, mas é claro que as tentações na terra do capitalismo, outlets e preços ridiculamente baratos seriam muito maiores. Alguns exemplos clássicos de consumo exagerado em viagens aos Estados Unidos são quando compramos produtos em quantidade para fazer estoque e levamos itens só porque o preço é baixo.

Assim como grande parte dos viajantes, eu também me encaixava perfeitamente neste padrão de consumo. Uma vez, me desesperei com a notícia de que minha base favorita sairia de linha e voltei dos EUA com três frascos para tê-la em estoque. Ao longo do uso do primeiro frasco, descobri outra base com o resultado melhor e deixei meu precioso estoque totalmente de lado. Fora a infinita quantidade de vezes que comprei roupas de fast-fashion que eu nem tinha gostado tanto assim só porque a oferta parecia imperdível.

Leia também: Ainda vale a pena comprar cosméticos nos Estados Unidos?

Nestes casos, uma grande ajuda para descobri se aquela é uma boa compra ou não é se questionar antes de passar o cartão: ''Eu já queria isso antes da viagem?''; ''Eu realmente quero o produto ou me interessei apenas porque está barato?’'; ''Vai fazer o meu dia a dia melhor?’’; ‘'Este produto e/ou quantidade tem utilidade na minha vida HOJE?’’.

Após anos voltando para casa com duas malas lotadas de compras, desta vez, o resultado foi muito melhor do que o esperado. A nova mentalidade me permitiu fazer escolhas tão boas que algumas das peças que eu mais uso atualmente foram trazidas desta viagem. Uma vida mais minimalista não me fez deixar de frequentar shoppings, outlets e muito menos de aproveitar boas promoções. Concluir a missão de comprar de forma mais consciente nos Estados Unidos resultou em dólares sobrando na carteira e memórias materializadas apenas em fotos. Com muito orgulho, eu não trouxe um copinho de shot de lá.

Boa viagem!

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 Mensagem não lidaPublicado: Seg Fev 04, 2019 8:46 am 
Mensagens: 488
Acho que já passei dessa fase de consumismo. Meu apelo de consumo tanto no Brasil quanto no exterior, tem sido para o extremamente necessário ao meu dia a dia. Ultimamente venho adotando a máxima de que o que fica mesmo são as boas experiências. Por isto, nas minhas viagens procuro curtir o local desfocado do apelo do consumo.
Com relação às roupas, também adotei o seguinte procedimento: se determinada roupa de estação não for usada por 2 estações seguidas, então posso doá-la, que não me fará falta.


 Mensagem não lidaPublicado: Seg Fev 04, 2019 11:41 am 
Mensagens: 758
Excelente, @soares! Estamos na mesma!

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 Mensagem não lidaPublicado: Ter Fev 05, 2019 7:53 am 
Mensagens: 1836
Isso é realmente muito bom!
Tive minha fase consumista de "coisas" nos meus 20 e poucos anos, mas ela foi logo substituída pelo consumo de viagens.
Melhor $ para passagens e hospedagens, do que calças, blusas e etc no armário.

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 Mensagem não lidaPublicado: Qui Fev 07, 2019 3:55 pm 
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Eu era muito consumista nos EUA. Comprava demais. Atualmente, compro de menos.

"Consuma sem consumir o mundo em que você vive".

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