Inflação no mundo das milhas: uma visão econômica
Enviado: Seg Jun 01, 2015 1:12 pm
Muitos de nós escutamos nos noticiários sobre a situação econômica do País e como a inflação corrói nosso poder de compra. Tecnicamente, define-se inflação como um aumento generalizado de preços. É um efeito nocivo e indesejável por parte da população, mas que é tolerável até certo ponto. Quando aumentamos nosso poder aquisitivo, seja pelo aumento de nosso grau de instrução com consequente aumento de salários, seja empreendendo, tendemos a desejar mais. Desejemos melhores carros, casas, alimentação e, também, viagens.
O brasileiro médio deixava expirar uma infinidade de milhas na década passada, o que fazia a alegria dos operadores de cartões e, porque não, das companhias aéreas. Isso mudou muito nos últimos anos com sites especializados como o Falando de Viagem. Aí vem o paralelismo com a economia.
Imagine que o Estado (o nosso Governo no caso) quisesse fazer uma grande obra, como uma ponte, por exemplo. Ele tem a prerrogativa de imprimir cédulas e contratar empregados. Resolveria com esse ato, dois problemas sem gastar nada além de papel e tinta para impressora: faria uma ponte (politicamente uma boa coisa) e empregaria pessoas (diminuir o desemprego é quase sempre bom). Por que não fazer isso muitas vezes e resolver muitos problemas? Porque isso gera inflação devido ao excesso de demanda. Todos com dinheiro pressionam os preços para cima. Por que cobrar R$1.000,00 por uma passagem aérea se todo mundo quer e pode viajar pagando R$1.200,00? As empresas sabem disso e aumentam o preço.
O motivo dessa explicação é entender como as companhias aéreas imprimiram seu próprio dinheiro (emitiram milhas a partir de inúmeras parcerias), inundaram o mercado de milhas (que é o análogo do mercado monetário) e o inflacionaram. Com o aumento de renda da população muitos brasileiros passaram a pagar faturas superiores a R$10.000,00. Imagine isso a um dólar de R$2,00 e um cartão de crédito que oferece 2 milhas a cada dólar gasto.
Desta forma, uma pessoa emitiria uma passagem aérea de ida e volta para os Estados Unidos a cada 5 meses na tabela antiga do Smiles. Nem falo do pague contas, onde houve abuso por parte de alguns clientes. Ou ainda de coisas do tipo “ganhe 5 milhas a cada real gasto no site xxx”. O resultado? Todos com muitas milhas para gastar em um mercado que não se sustentou e que percebeu que poderia aumentar os preços de maneira generalizada. A técnica do “a partir de xxx milhas” está sendo amplamente utilizada pelos programas de modo a colocar o céu como limite.
Na minha opinião, nunca mais veremos o mercado de milhas ser como em 2010 assim como os preços dos imóveis no Rio de Janeiro nunca mais voltarão a um patamar anterior ao anúncio que a Cidade Maravilhosa seria a sede da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Agora vivemos em um mundo de ajustes onde as classes mais abastadas ainda continuam bancando com os custos de emissões cada vez mais altos. A era da bonança parece ter terminado.
O brasileiro médio deixava expirar uma infinidade de milhas na década passada, o que fazia a alegria dos operadores de cartões e, porque não, das companhias aéreas. Isso mudou muito nos últimos anos com sites especializados como o Falando de Viagem. Aí vem o paralelismo com a economia.
Imagine que o Estado (o nosso Governo no caso) quisesse fazer uma grande obra, como uma ponte, por exemplo. Ele tem a prerrogativa de imprimir cédulas e contratar empregados. Resolveria com esse ato, dois problemas sem gastar nada além de papel e tinta para impressora: faria uma ponte (politicamente uma boa coisa) e empregaria pessoas (diminuir o desemprego é quase sempre bom). Por que não fazer isso muitas vezes e resolver muitos problemas? Porque isso gera inflação devido ao excesso de demanda. Todos com dinheiro pressionam os preços para cima. Por que cobrar R$1.000,00 por uma passagem aérea se todo mundo quer e pode viajar pagando R$1.200,00? As empresas sabem disso e aumentam o preço.
O motivo dessa explicação é entender como as companhias aéreas imprimiram seu próprio dinheiro (emitiram milhas a partir de inúmeras parcerias), inundaram o mercado de milhas (que é o análogo do mercado monetário) e o inflacionaram. Com o aumento de renda da população muitos brasileiros passaram a pagar faturas superiores a R$10.000,00. Imagine isso a um dólar de R$2,00 e um cartão de crédito que oferece 2 milhas a cada dólar gasto.
Desta forma, uma pessoa emitiria uma passagem aérea de ida e volta para os Estados Unidos a cada 5 meses na tabela antiga do Smiles. Nem falo do pague contas, onde houve abuso por parte de alguns clientes. Ou ainda de coisas do tipo “ganhe 5 milhas a cada real gasto no site xxx”. O resultado? Todos com muitas milhas para gastar em um mercado que não se sustentou e que percebeu que poderia aumentar os preços de maneira generalizada. A técnica do “a partir de xxx milhas” está sendo amplamente utilizada pelos programas de modo a colocar o céu como limite.
Na minha opinião, nunca mais veremos o mercado de milhas ser como em 2010 assim como os preços dos imóveis no Rio de Janeiro nunca mais voltarão a um patamar anterior ao anúncio que a Cidade Maravilhosa seria a sede da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Agora vivemos em um mundo de ajustes onde as classes mais abastadas ainda continuam bancando com os custos de emissões cada vez mais altos. A era da bonança parece ter terminado.





