A encantadora Borgonha: uma das principais regiões vinícola do mundo
Enviado: Qui Jun 09, 2016 2:10 pm

A Borgonha é sem dúvida um local único. Localizada em uma região relativamente central da França, ela é famosa por seus vinhos, sua gastronomia, suas belezas naturais, sua arquitetura e pela riqueza cultural de sua história. Tendo Dijon como sua capital, a eterna terra da mostarda, a região tem muito a oferecer, principalmente ao viajante com um perfil menos agitado de conhecer os lugares. A Borgonha não é para ser conhecida às pressas e deve ser respirada, admirada, contemplada e degustada. Um lugar onde a vida ainda parece acontecer em câmera lenta. Ainda bem!
Para nossa visita à Borgonha, escolhemos a pequena e bonita Beaune. Se Dijon é a capital política e gastronômica da região, Beaune é sua capital vinícola. Nós a escolhemos principalmente por sua localização geográfica, no centro da região que queríamos explorar, ao passo que Dijon ficava demasiadamente ao norte, gerando percursos mais longos para quem deseja explorar o sul da região.
Nós optamos por nos hospedarmos na excelente Hostellerie de Levernois, que faz parte da renomada associação Relais & Châteaux, sendo portanto sinônimo de excelência de serviços, ótima gastronomia e respeito ao meio ambiente. Achamos que foi uma excelente escolha, que enriqueceu consideravelmente nossa experiência de viagem.


Beaune é também a principal cidade da chamada Côte d'Or, região onde são feitos os melhores e mais famosos vinhos. Ela é composta pela Côte de Nuits, ao norte onde o forte são os tintos e a Côte de Beaune, ao sul onde os brancos reinam.
Com apenas 22 mil habitantes a cidade é um encanto em termos de visão e paladar. Seu centro histórico compacto facilita a exploração. Alguns pontos turísticos são muito famosos, como o histórico Hospice de Beaune, que dedicamos o primeiro dia para explorá-lo.



São muitas as vinícolas com sede no local e vale muito a pena uma visita guiada!

É impossível não escolher um restaurante para se sentar e degustar uma taça de vinho. Existem ótimos restaurantes na região e na primeira noite optamos por jantar no excelente La Table de Levernois, que possui uma estrela no Guia Michelin.

Usando Beaune como base, nos aventuramos para o sul até Mersault, onde é produzido um excelente vinho branco de mesmo nome.


Escolhemos realizar uma visita guiada com degustação ao Domaine Ropiteau (10 euros com direito a provar 5 vinhos). Aprendemos muito sobre os vinhos locais e adoramos a degustação.




É preciso ser dito que apenas 4 castas de uva podem ser cultivadas e engarrafadas na Borgonha utilizando sua AOC, a famosa denominação de origem controlada, sendo elas a Pinot Noir, Chardonnay, Aligoté e Gamay, sendo que todos os vinhos de qualidade superior são feitos com as duas primeiras.
Nossa parada seguinte foi a vizinha Pommard. Ela é pequena, semideserta e lar de um tinto encorpado.


Nesta noite escolhemos um jantar mais informal, mas nem por isso menos delicioso, no ótimo Bistrot a Bord de l'Eau.

No dia seguinte tomamos o rumo norte, em direção à Côte de Nuits. Nossa primeira parada foi em Aloxe Corton, uma cidade também pequena e também produtora de excelentes vinhos.




Optamos pela visita guiada com degustação à Domaine Comte Senard, uma das produtoras mais tradicionais da cidade. A qualidade de seus vinhos justifica a fama em torno de seu nome.





Continuamos nosso rumo ao norte e paramos para conhecer um mito. Com apenas pouco mais de 1,5 hectare de vinhedo, sua majestade o Romanée Conti é o vinho mais caro do mundo! Uma única garrafa pode chegar a dezenas de milhares de euros, dependendo da safra.


Localizado na minúscula Vosne-Romanée, é uma parada obrigatória para todos que se consideram entusiasta do mundo dos vinhos.



Após o ritual litúrgico em Vosne-Romanée, seguimos um pouco mais para o norte e fazemos outra parada a fim de conhecer o maior vinhedo Gran Cru da Borgonha.
O Clos de Vougeot é um vinho célebre e caro. Talvez o único Borgonha a possuir um verdadeiro Chateau em seu terreno. Infelizmente neste dia a visitação ao castelo não era possível e tivemos que nos contentar com essas fotos externas, mas foi a realização de um sonho!




Continuando nosso caminho e fizemos mais uma parada, desta vez em Gevrey Chambertin, lar de ótimos tintos. Desta vez nossa visita com degustação teve lugar no famoso Domaine Drouhin-Laroze, onde tivemos a oportunidade de degustar alguns de seus produtos além realizar uma instrutiva visita guiada por suas caves. O lugar costuma receber grupos de brasileiros e realiza almoços harmonizados.



E terminamos nosso roteiro pela Borgonha em sua capital, Dijon, que apesar de ser a maior cidade da região nem por isso tem um ritmo mais agitado. Suas ruas estreitas e calmas são ótimas para conhecer a cidade a pé.




Não podíamos ir embora sem levar um vidro de mostarda como recordação. Lembrança até desnecessária para uma viagem que certamente será inesquecível.

Nós adoramos revisitar a Borgonha, dessa vez com muito mais calma. Foi apenas a confirmação que para se entender a região, seus vinhos e sua gastronomia não se pode ter pressa. A Borgonha vive em um ritmo próprio e é preciso respeitá-lo para a conhecer de forma adequada.
Uma viagem que certamente durará para sempre em nossa memória. Independente de você amar ou não os vinhos, conheça a Borgonha. Tenho certeza que você também irá considerá-la inesquecível.
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Boa viagem!





