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 Mensagem não lidaPublicado: Seg Abr 06, 2020 6:50 pm 
 Atualizado: Seg Abr 06, 2020 7:01 pm 
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Foto: Grant Rooney/Alamy.

A pandemia do coronavírus (Covid-19) colocou os mercados chineses de animais silvestres em pauta no mundo todo. Entretanto, o que se vê é um enfoque total na doença e, por tabela, nos pedidos de proibição deste tipo de comércio, sem a contextualização dos chamados wet markets na cultura chinesa.

Em meses, a pandemia vai se cessar, mas estes mercados provavelmente vão continuar abertos, como acontece há décadas. Para China, a discussão e a prática deste tipo de comércio vai além do cenário atual. Como meio para entender mais e melhor sobre os mercados chineses de animais silvestres, o Falando de Viagem entrevistou a mestre e doutora em Ecologia e professora da UERJ, Helena Bergallo.

Leia também: Fui para China em época de Coronavírus | Relato de viagem para Wuhan, o foco da epidemia

A origem

Os mercados de animais silvestres existem em diversos país asiáticos. Na China, este comércio teve origem nos anos 70, mas seu contexto tem início durante o período de 1958 a 1961, historicamente conhecido como a Grande Fome Chinesa.

Durante três anos, a má gerência do governo resultou em um trágico quadro de miséria extrema e milhões de chineses morreram de fome. Na época, uma das principais medidas do governo foi a proibição do cultivo de terra privado somada à distribuição ineficiente e desigual, que beneficiava a população dos centros urbanos.

Na década posterior à Grande Fome, o governo legalizou a privatização da agricultura por volta de 1978. Grandes empresas passaram a dominar a produção agrícola e de carnes como frango e porco. Consequentemente, os pequenos produtores, encorajados pelo governo, passaram a trabalhar com animais selvagens. Mas na época, vendia-se apenas cobras e tartarugas.

Na década de 80, comer animais silvestres já era considerado um aspecto cultural. Com isso, os mercados destas espécies foram regulamentados e a oferta de animais se expandiu para além das cobras e tartarugas.

As problemáticas

Para Helena Bergallo, não se deve confundir um mercado criado puramente a partir de necessidades econômicas com um traço cultural absoluto. "Essa cultura foi criada em um momento que eles tinham sérios problemas de fome, mas agora os chineses são grandes produtores então não faz mais sentido manter esse tipo de comércio. Para mim não é cultura, é comércio", conclui.

A ecologista explica que a problemática vai além do aspecto culinário e pontua os três grandes pilares da discussão: a junção de tantas espécies distintas, a precarização do ambiente e o tráfico ilegal de animais.

O próprio coronavírus é perfeito para exemplificar o perigo de unir espécies diferentes no mesmo espaço. Tal contato promovido pela superlotação facilita a transmissão de vírus que circulam dentro de um reino de espécies para outros animais com particularidades totalmente diferentes. Foi exatamente o cenário observado com os morcegos e pangolins de Wuhan.

Tamanho perigo poderia - e deveria - ser controlado com a devida fiscalização sanitária, o que não acontece nos wet markets chineses. E mesmo se fosse o caso, a comercialização de espécies selvagens ainda não seria ecologicamente correta. Bergallo enfatiza que o tráfico ilegal de animais é um problema urgente a ser enfrentado. Além de abastecer colecionadores e atrações turísticas criminosas, também está diretamente ligado aos mercados de animais silvestres.

Leia também: Coronavírus x Viagens | Tudo que você precisa saber

A comparação com a gripe aviária

A gripe aviária é uma enorme ameaça para humanos. Calcula-se que uma pandemia da doença seria muito mais grave do que a atual, do coronavírus. Mesmo assim, não se considera parar de comer frango por este motivo.

A diferença está na fiscalização. A criação de galinhas e outras aves amplamente comercializadas para o consumo é altamente controlada. Quando surge a suspeita de gripe aviária, milhares de aves são abatidas como forma de prevenção.

Proibir ou não proibir?

No calor do caos implantado pela Covid-19, a proibição dos mercados de animais silvestres parece óbvia para muitos, principalmente os ocidentais. Mas é no mínimo simplista acreditar que tal decisão é tão clara ou fácil. Toda proibição resulta em tráfico e neste caso não seria diferente. As condições de higiene e consequentemente o perigo à população podem ser ainda piores com o mercado ilegal.

Bergallo acredita que a proibição total deste tipo de mercado não seja necessária, mas enfatiza que a regulamentação é fundamental. "Desde que você tenha umas poucas espécies com controle sanitário e espécies que obviamente não estejam ameaçadas, que sejam facilmente criadas". A ecologista lembra que na origem chinesa destes comércios, as cobras e tartarugas vendidas estavam mais perto de um modelo aceitável.

A cidade chinesa de Shenzhen anunciou a proibição do consumo de carne de gatos e cachorros a partir de primeiro de maio. O comunicado do governo municipal, entretanto, aponta que a decisão foi tomada a partir de um viés mais moral do que científico, já que o ideal, como explica Bergallo, é uma política de restrições e controle mais ampla.

Leia outras matérias da série "como realmente é":
- Maconha na Jamaica: como REALMENTE é? | Cultura, estereótipos e lei
- Como REALMENTE é tomar um banho turco? | Nudez, erotização e concepções erradas

Texto: Manoela Caldas.

E você, sabia da história dos wet markets chineses? Já visitou algum? Compartilhe sua experiência nos comentários!

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 Mensagem não lidaPublicado: Ter Abr 07, 2020 1:34 am 
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Esclarecedora a materia. Imaginava que esse habito fosse mais antigo. Pensei que era algo que remontasse a seculos atras.

Lembrando que no Brasil, o saudoso Dinho dos Mamonas Assassinas tinha por habito comer tatus. Mesmo que isso lhe ocasionasse recorrentes dores nas costas, como o mesmo vivia reclamando.

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 Mensagem não lidaPublicado: Ter Abr 07, 2020 8:56 am 
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O mais perto que cheguei foi em Hong Kong. Vou até rever algumas fotos, mas não tinham muitos animais não. Tinha muitos peixes. Não encararia um mercado que vende animais.

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 Mensagem não lidaPublicado: Ter Abr 07, 2020 10:20 am 
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Mensagens: 10164
Fabio,

Quando criança, eu tinha um vizinho em Petrópolis que construía armadilhas para caçar GAMBÁ, que ele matava e fazia churrasquinho.

Segundo ele, bastava tirar as glândulas que o bicho tem nas axilas que dão o odor característico.

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 Mensagem não lidaPublicado: Ter Abr 07, 2020 10:38 am 
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Achei a matéria. E isso em Hong Kong, que "não é China".

Wet Market: o tradicional mercado de rua de Hong Kong viewtopic.php?f=603&t=12961

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 Mensagem não lidaPublicado: Ter Abr 07, 2020 1:07 pm 
Mensagens: 1352
Gabriel, os mercados de animais silvestres são mais comuns em províncias mais pobres. Quase não se vê nas principais metrópoles.

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 Mensagem não lidaPublicado: Ter Abr 07, 2020 1:49 pm 
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É, mas nesse tinha tartarugas :(

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 Mensagem não lidaPublicado: Qua Abr 08, 2020 2:02 am 
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Mensagens: 8838Rio de Janeiro- RJ
Baran,

Quando eu era crianca, tivemos como caseiro um sujeito que tambem comia gambas. Na Barra dos anos 70/80 encontrar todo tipo de animal era bem corriqueiro.

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 Mensagem não lidaPublicado: Qua Abr 08, 2020 5:21 am 
Mensagens: 2105
No Vietnã visitei alguns mercados onde tinha carne de cachorro, gato e rato para vender, mas os animais mesmos não estavam mais vivos, somente tartarugas, cobras e crocodilos estavam vivos.
Na Tailândia e no Cambodja vi insetos fritos para vender em vários locais.
Meu marido fala que as cobras vivas ele vê constantemente nos restaurantes na China.

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 Mensagem não lidaPublicado: Qua Abr 08, 2020 9:33 am 
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Tailândia tem um local onde vende espetinhos de animais, como escorpiões. Jamais comerei.

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